Por Luiz Carlos Bordin
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou que passará a produzir no Brasil a cladribina oral, medicamento utilizado no tratamento da esclerose múltipla e atualmente disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A medida deve reduzir os custos de aquisição da medicação e ampliar o acesso de pacientes ao tratamento de alta complexidade.
Conhecido comercialmente como Mavenclad, o medicamento foi incorporado ao SUS em 2023 para pacientes diagnosticados com esclerose múltipla remitente-recorrente altamente ativa, forma da doença caracterizada por surtos frequentes e rápida evolução, mesmo após terapias convencionais.
Hoje, o tratamento completo com a medicação pode chegar a quase R$ 140 mil por paciente em um período de cinco anos. A expectativa é que a produção nacional ajude a diminuir os gastos públicos e aumente a capacidade de atendimento no sistema de saúde.
A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica que afeta o cérebro e a medula espinhal, podendo causar limitações motoras, cognitivas e visuais. No Brasil, milhares de pessoas convivem com a forma mais comum da enfermidade, marcada por períodos alternados entre crises e remissão dos sintomas.
A cladribina é considerada um avanço terapêutico por ser um tratamento oral de curta duração, mas com efeitos prolongados no controle da doença. Estudos recentes também apontaram melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes, com redução da progressão das lesões neurológicas e maior preservação da capacidade de locomoção.
A produção do medicamento será realizada por meio de parceria entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), unidade da Fiocruz, a farmacêutica Merck e a indústria químico-farmacêutica Nortec.
Segundo a Fiocruz, a iniciativa reforça o fortalecimento da indústria farmacêutica nacional e contribui para ampliar o acesso da população a medicamentos de alto custo dentro do SUS.